Tifli Camarada Camarão

Pichação no Rio de Janeiro

Tifli camarada Camarão

Roda Cultural

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quinta-feira, 8 de março de 2012

Num dia Expressivo sendo Tratadas como Personificação de um Objeto de Desejo.


No dia internacional da mulher que deve realçar as lutas que vão desde Rosa luxemburgo, até Dona Maria que viu sua casa sendo destroçada por uma avalanche no Morro do bumba, assim como tantas outras mulheres que sofrem no dia dia e mesmo assim, vivem lutando para um mundo menos escroto, é o tempo todo caricaturado.

A televisão insiste em mostrar uma mulher de biquine, e com ares carnavalescos como representação. Deixa-se bem claro que sou um amante do carnaval, o que se deve ater é numa leitura crítica da personificação imagética do carnaval como representação da pátria e sendo assim das mulheres brasileiras como sendo o carnaval em pessoa.

As vicissitudes de uma garra que ultrapassa nossos nove meses no máximo até o nascimento do prodígio filho que a mesma o tratará como jóia rara, independente do que esse último faça, não é reconhecida por uma sociedade que cai num esquecimento imagético do momento.

Os atropelos que vão desde uma agressão do seu conjugue até um ensinamento ortodoxo que as enquadram como sendo "boas moças" e para as que ultrapassam essas barreiras são chamadas de possível "safadas", "fácil", entre outros apelidos que se entenderia por uma sociedade extremamente machista e preconceituosa. A mulher e principalmente a brasileira em "pesquisa recente, é a mais otimista do mundo", isso deve ser encarado com bastante brilho, se não esquecermos dos excessos de transtornos que as mesmas vem passando ao longo de um histórico percurso que ultrapassa séculos.


A imagem da mulher não deve estar enquadrada num só ar de luta, agressividade com as durezas da vida, muito pelo contrário deve-se realçar também outra lado de tantas que com sua delicadeza, sem deixar de serem bravas, permanecem encantadoras, onde num simples passar de batom se transformam numa musa expressiva, isso no nosso imaginário, pois as que não passam os famosos produtos estéticos conseguem reter o mesmo brilho. Seu não esquecimento quanto guerreira e formosura talvez seja nossa principal assimilação quando tentamos lembrar de um rosto feminino e querido por todos nós.
Portanto, as datas podem ser um mero clique de um dia como outro, mas também podem expressar o que temos de mais valioso e nem por isso, os tratamos como devem. as mensagens ultrapassam barreiras, que vão desde um ser vaidoso até o mais simples do interiorano. As formas de homenagea-las podem ser diferenciadas, mas a clareza de que precisamos olha-las como admiradores e companheiros em prol de uma luta que talvez seja pedagógica, mas sem deixar de ser prazerosa.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Minhas viagens pela terra amada



Minhas viagens curtas pela cidade de Saquarema. Logo percebo que meu olhar mais aguçado estava à procura de algo que me impressionasse, e que me aguçasse as iniciativas da escrita.
Ao longo da viagem não percebi a tão sonhada diferença, o que me faria saltar os olhos.
Quase no final da viagem, como um bom estudante de sociologia não desanimei com minha investida.
Ao pegar o ônibus e retornar para casa, as relações que se processam num universo em que os indivíduos são lesados e por isso, procuram seus direitos ocorreu no meio da viagem.
Ao dar duas voltas quase que sem necessidade no entorno da cidade o motorista recebeu os votos de indignação de alguns passageiros, principalmente uma mulher de aproximadamente 50 anos. Segue a insatisfação da referida mulher....

Fala da mulher: “Nós não somos otários motorista, e nem cachorros.”
Fala de outra mulher que acompanhava a primeira: “É isso mesmo não somos cachorros.”
Fala da primeira mulher: “Querem nos fazer de ratos, mas nós não queremos”
Segue a última: “O prefeito quer fazer obras para turista ver, e não para a população de Saquarema.”
O saldo dessa discussão, uma mulher enfurecida lutando pelos seus direitos, um motorista sem ter o que fazer, pois estava obedecendo a ordens, eu seguindo meu percurso de viagem, e as melhorias no transporte público de Saquarema não chegara até aquele referido momento.

Wagner Maia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Os Códigos Que Se Ver Pelas Calçadas.


Minha caminhada pela cidade metropolitana e na busca pelos códigos nela estampados. Nas placas de sinais de trânsito, vejo que hora posso seguir que hora devo permanecer parado.

Pelas calçadas, vejo as placas de sinalizações que indicam quais ruas, estabelecimentos e outros pontos diferentes que nos torna mais eficientes nos destinos procurados.
Nas placas das universidades, tenho a noção se é pública ou privada, de boa ou má qualidade, se tem professores reconhecidos ou nem tanto. Os códigos servem para esconder as reais situações engendradas nesses ambientes.  
  
Os códigos são expressões de uma sociedade cada vez mais manipuladas pelos enigmas que escondem um amplo conteúdo desses possuidores de códigos.

No entanto, há de se dizer que possuem códigos que devem ser combatidos. Esses códigos variam de tempo em tempo. Fora o grafite nas décadas passadas, assim com a capoeira no século XIX. Hoje se têm como combate a pichação.
Os motivos desses combates estão na relação de depredação do patrimônio público, ou e do privado. 



Esses códigos mais do que sujarem a cidade, a transforma numa caverna do século XXI. Pois bem, traçar-se-á as contribuições desses códigos que a todo o momento tentam combater uma ditadura da estética da beleza, estampada em suas marcas e sensações de insuficiência da população em usufruir dos códigos naturais da cidade.

As pichações mais do que fugir desses códigos, criam novos códigos que muitos desses podem ser entendidos pelo público exterior, outros de cunho extremamente de entendimento dos pichadores.

Mais do que fugir dessa estética, é dar possibilidade de vermos novas estéticas expressadas pela cidade e seus arredores.

A cidade precisa saber conviver com seus códigos que nada mais são que as complexidades de sua existência, mais do que material, escondem as contradições simbólicas das relações sociais de hierarquias.








Wagner Maia da Costa

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Entre o Público e o Privado.


Hoje acordei pensando que os setores públicos fossem melhores que os privados.
Pobre homem que seu idealismo já extrapola todas as relações de desigualdades na sociedade. Pensa que estas, podem ser desfeitas.
Há rica desigualdade, é você que transforma os laços de solidariedade numa relação de correlação de forças.
As estruturas de hierarquias, presentes nas mais calmas das facetas da sociedade, está a cada momento crescendo e nos tornando indivíduos escrupulosos.
Pobres setores da saúde, transporte, educação, que não recebem seus investimentos a altura, ou uma vez recebendo seus gestores tratam de usufruir as mais perversas formas ilícitas.
Crianças, jovens, idosos, a que os restam, é uma tentativa de questionamento, onde muitas das vezes são inquietadas pelos grandes gestores de comunicação.
Aos povos dos setores periféricos, os resta uma exclusão de cunho extremamente perverso, e que os setores da alta elite acham perfeito colocar essas populações em constantes estigmas.
Há pobres populações... Há pobres populações... Há pobres populações. Lamentamos ou lutaremos contra essas atrocidades... Há pobres populações...     

Wagner Maia

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

As favelas e Suas Representações!

As favelas não precisam tentar copiar as manifestações burguesas que vem ocorrendo na Cidade e no País como todo, para se fazer representada no noticiário dos grandes tele jornais, ou até mesmo nas redes sociais.

Sua luta por si só, já é de extrema relevância para toda sociedade, mesmo que boa parte dessa última não reconhece a favela como local de múltiplas representações de protestos, manifestações culturais e divulgação de seus pontos de cultura, etc.

As favelas, muito mais do que se fazerem representadas através das cópias, tem que servir como um amplo campo de trabalho pedagógico de conscientização contra essa sociedade conflagrada, em que cada vez mais tendem a se mostrar um cenário de banalização das questões sociais mais relevantes da sociedade.

As redes sociais cujo venho criticando pela sua margem superficial das relevâncias sociais, tendem a mostrar alguns cenários como civilizados, que outrora fora considerados um submundo dos anormais. O câncer parece ter desaparecido como num ato religioso cuja as orações parecem fazer mais efeito do que a realidade em si.

As realidades que venho acompanhando das favelas cariocas pouco têm-se mudado nas questões de reformas significativas. Nas enchentes, as favelas são as mais prejudicadas, na educação os jovens, crianças e adultos não se fazem representados por uma educação hierarquizada.

Os códigos de uma mudança social, travestidos em pseudo práticas sociais, estão calando uma revolta popular, mesmo que resumida em poucos indivíduos em algumas situações, que sempre estiveram presentes nos questionamentos por mudanças.


O trabalho que venho ratificando como de extrema importância par a cidade, parece ser diferenciado 360 graus do estipulado no cenário atual da Cidade do Rio de Janeiro. As futuras gerações possivelmente, sofrerão as consequências do fazer de agora, que visa certas estratégicas para um conjunto de empreendimentos num futuro próximo.

O trabalho pedagógico, é permanente e tem que ser permanente, como num combate a homofobia, racismo, preconceito étnico, religioso entre outros. A favela e o restante da cidade, tem que está numa arena política de igual debate crítico, não se fazendo mazelas e feudos privilegiados. O privilégio torna os indivíduos, atores fracos no combate a desigualdade e descriminação social. Ao invés de serem atores privilegiados, temos que ser atuantes no combate ao privilégio e outras mazelas da sociedade.


Wagner Maia da Costa.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma Cidade limpa, longe do Vandalismo! A onde se Encaixa a Pichação?

Uma Cidade limpa.

Muito tem se falado da cidade do Rio de Janeiro como a cidade limpa, longe do estigma de outrora, com suas representações de sujeiras nas paredes dos monumentos e de outras regiões de previlégios da cidade.

A cidade passa por reconfigurações da estética urbana, em que não abarca algumas manifestações artísticas. Muitas, são vistas como mero comboio de vandalismo, e por assim dizer, tem que ser combatidas. Por conseguinte, a pichação enquadra-se nesse estigma, esta é vista como depredação do patrimônio público e do privado. Dotados de uma ampla capacidade de adrenalina, os pichadores estão a todo momento expressando seus códigos pela cidade.

Entretanto, a mesma no os ver de forma satisfatória, seja por puro preconceito, ou por não conhecer as mensagens que esses, geralmente jovens querem passar.

Na conduta da cultura de rua, que outrora fora tratada com extrema repressão e preconceito, vem tentando romper barreira dentro de uma cidade altamente hierarquizada. As dimensões da estética na cidade metropolitana, possuem suas regras restritas que devem ser obedecidas por sua população. Os códigos dos pichadores no entanto, foge dessa regra, se constituindo em um bem comum ao universo de seus iguais. Longe da dita cidade limpa.

Porém, pensando quanto manifestação artística, essa deve ter total liberdade de manifestação cultural, muito pelo contrário que pensam da pichação de não ter seus limites e códigos implícitos e explícitos, ela é formada por uma estrutura bem significativa em questão de ir contra os dogmas posto na sociedade.

As inúmeras repressões que sempre fizeram parte do aparelho policial no Rio de Janeiro, tende a crescer na medida em que essa revitalização começa a dar seus primeiros passos. A intensificação no combate a pichação e outros grupos de arte popular, está dentro de uma lógica da cidade vendível, mesmo que no seu interior, a mesma guarda um complexo campo de estigma e segregações.

O não entendimento dessas manifestações, já está subjugado como o entendimento da mesma como mero vandalismo, e que deve ser combatido. Parto da perspectiva, que a pichação é mais uma forma de manifestação cultural, e que como todas as de mais guarda seus códigos e sua beleza, que não necessariamente está alocada na questão da estética. Esta última, é só um meio de quem detém o poder da proliferação da arte, lidar com esse campo heterogênio de manifestações culturais.

Wagner Maia de Costa...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Etnia Invisível...

Por Wagner Maia




Se vir os cadáveres caindo pelo chão... não digas que todos são de uma mesma etnia.

Se olhares as perfurações pelas paredes, elas têm um escorredor que esbafori toda uma gente que não se ver representada,

As porcentagens são desiguais.... As chances de sobreviver são a todo o momento recalculadas pelos grandes estatísticos.

Minha cor não me deixa dormir, até já pensei que fosse minha culpa.... Viver parece ser a coisa mais difícil de se conseguir.

Por muito tempo, ficaste preso num porão que as dimensões quase que surreais.

Meu corpo às vezes tratado como objeto, outras como mercadoria descartável.

Só por hoje, tive um sonho surreal de não fazer diferença meu excesso de melanina...

Só por hoje, sonhaste que uma simples palavra não signifique sofrimento.

Os grandes carros que da mesma cor que tenho, sobe com homens vestidos com a mesma cor que tenho, dilaceram gente da mesma cor que tenho...

Pobre homem, que num passo descontrolado, cai sobre as valas que navegam suas impurezas que há muito não foram tampadas...

Os grandes senhores de ternos com alguns intervalos no tempo, andas pelas valas abertas..

Só por hoje, pensaste que uma simples lei que há quase dois séculos fizera, fosse significativa.

Se não sou ouvido, meu cadáver serve como culpabilidade de uma sociedade perdida.

Os grandes verniz que sujam as ruas das grandes ruelas e becos... só por hoje tiveste nome.

Sou Chico, Maria, Denis, Júnior, Rafael, Leandro, Tatiana, Juliana, Carolina, Robson, Carlos, Willian... somos dignos e merecemos ser contabilizados como gente.

Meu gênero somado a minha cor, me deixa no submundo dos marginais.

Há décadas sou espancada por quem sofre junto comigo, um oprimido sendo opressor.

Os excessos de bebidas destiladas, me dar força de só por hoje ser um gigante... pobre homem.

Só por hoje, minha cor é devastada por um vírus que cresce em condições aritméticas.

O grande navio que carregara minha gente permanece vivo em cada coração, que hoje sobrevive nas áreas mais conflagradas...

Hoje sou negro, branco, pardo, amarelo... que seja, só clamo por justiça, por dignidade, igualdade... só por hoje quero viver mais um dia... só por hoje... só por hoje...

A Cidade das Remoções

Por Wagner Maia.

Deixastes os meninos dormirem, cumpro mais um dia de batalha... Em poucos minutos o corpo entra em transe, o físico não aguenta mais, precisa de descanso.

Na batalha do sono, vem o encanto do sonho. Já em estado de êxtase, volto a pensar na cidade perfeita.

Nesta os indivíduos possuem minimamente suas casas... Não se trata das grandes caixas quadradas e suas friezas de porta em porta...

Os moradores convivem na mais perfeita sincronia, a humildade parece ser o ponto forte dessa cidade.

Uma cidade, que os mais humildes mesmo que suas oportunidades estejam distantes, surge acolhimento.

A cidade não possui suas áreas privilegiadas com seus metros quadrados e seus preços surreais.. Qualquer indivíduo pode comprar sua casa, pois o preço é simbólico, e não há mais valia.

Essa cidade não é para poucos e sim para todos, o lugar não é um lugar privilegiado com seus feudos privilegiados... É um espaço de todos que se resume em muitos...

Que pena, já são quatro horas da manhã, hora de ir trabalhar, o relógio é mais teimoso que meu sono, apita descontroladamente... A promessa é de uma oportunidade de emprego.

Antes do raiar sol, sigo rumo a felicidade ilusória... Hoje minha prefeitura está fazendo caridade e colocando alguns pobres coitados a removerem outros pobres coitados

Não posso desistir, meus filhos precisam dessa migalha de pão... Na primeira remoção, vejo que mundo vivo, uma irmã de cor, que contabiliza seu oitavo filho no colo..

Com o despejo, serão mais nove cadáveres rondando pela cidade. Esta baronesa da pobreza é quem cuida da casa... Seu parceiro cortara laços toda vez que a mesma ganha filho.

Acostumada com despejo, a penas lamenta por mais uma perda... Meus olhos por mais que tentam disfarçar, não sustentam as lágrimas guardadas por muito tempo...

Os homens dos canudos, despejam sem pudor, apenas dar a cartada final...

Na sua humilde fala, que na concordância verbal já não significara muito naquele momento, exclama em minha direção... “Porque choras, a penas faça seu dever.”

Meu dever é fazer minha cor sofrer. Sofre porque tenhas minha cor.. Sofre porque não existe casa para minha cor. Sofrer porque nem todos merecem viver... Sofre porque minha cor quer viver.

No fim do dia, contabilizo a vigésima remoção, dezenove é da minha cor, uma é da cor dos primeiros habitantes dessa terra...

Como chego em casa e olho para meus filhos? Pois, estes podem ser os próximos...

Sinto-me envergonhado do papel que fizestes hoje. Mal janto e vou dormir cedo, quero voltar a sonhar, pois minha realidade é um pesadelo...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Ponta de Uma Contradição Profunda. Criminalização da Pobreza.

Por Wagner Maia da Costa


O Rio de Janeiro vem passando por transformações jamais vistas em questão do tratamento da violência, o mais recente diagnóstico de uma possível luta contra a criminalidade, foi à ocupação do território de uma das favelas mais populosa do Brasil, (Rocinha). Em quatro horas, foi tomado o território, que segundo as autoridades da segurança pública estava conflagrado há várias décadas. Num passar de olhos os problemas da favela se reverteram em uma entrega da comunidade para sua população.

Ainda para as autoridades, esta é só mais uma comunidade no total de 40 até 2014, que serão ocupadas. “Beltrame diz que meta de instalar 40 UPPs no Rio de Janeiro está mantida” (http://jconline.ne10.uol.com.br/) As alegações são a de que não adianta só chegar a polícia nesses locais, é necessário implantação de serviços básicos, e isso as grandes empresas estão fazendo muito bem. Ao serem ocupados esses territórios, são impregnados de empresas telefônicas, de internet, e recomposição da rede elétrica, que segundo as autoridades são de extrema importância. Não me desfazendo da importância dos mesmos, me ancoro num projeto de cidade que abarca uma rede de beneficio que vai muito além de um simples colocar de internet.

Os problemas das comunidades, parecem se encerrar com a entrada da polícia, da noite para o dia, as escolas voltam a funcionar com a mais perfeita potência, a saúde ganha um amplo reforço com uma miragem de construção de hospitais. A Cidade do Rio de Janeiro, parece caminhar para uma grande evolução rumo a civilização, as populações ditas sub humanas, são adestradas a se colocar no seu devido lugar, na margem das áreas mais ricas, e em baixo das rédeas dos grandes fuzis que nas mãos dos policiais faz representar a ordem. O toque de recolher em algumas comunidades, demonstra o poder bélico e da ditadura que uma localidade em pleno século XXI pode conviver. “As humilhações como: tapas nos rostos, xingamentos, espancamentos e até ameaças de mortes, não são nem um grão de areia da opressão que o tráfico fazia”, essas afirmações que encontramos bastantes recorrentes nas redes sociais tais como: Fecebook, twitter, Orkut etc. Os defensores alegam que as comunidades estão livres da opressão.

O tráfico sempre foi um componente essencial dos governantes, que ao longo das décadas oprimiram as favelas e as regiões periféricas da cidade. O intuito dos mesmos era de acabar com um mal que crescera como um câncer, que através de sua mitose encontra uma proliferação quase que desenfreada. A quimioterapia, se dá com o enfrentamento dos policiais contra o dito poder paralelo (tráfico). No entanto, a ocupação recente das favelas, vem se dando numa repleta harmonia entre traficantes e autoridades governantes. O anúncio das ocupações vem muito antes das mesmas serem ocupadas, e dependendo do local não há um tiro se quer. Isso não quer dizer que estamos tratando o enfrentamento melhor que o afastamento dos ditos (bandos), o que se alega é à saída de alguns desses homens para outras localidades e a permanência de alguns na mesma localidade onde tinham o poder. O tráfico continuará com suas raízes ao longo da cidade.

O grande espetáculo, se dá com uma intensa cobertura das mais prestigiadas emissoras de televisão e outros instrumentos de comunicação de massa. Os jornalistas, ao entrarem pela primeira vez num território “livre”, vão a caça dos mais calados moradores. O medo de falar, está estampado em cada rosto que ao saírem de uma opressão, acabam em uma ditadura dos policiais.

O grande projeto das ocupações e remoções de algumas localidades, atendem um amplo projeto de cidade vendível. Os grandes empresários, montam seus conglomerados, a fim de obterem um lucro com a valorização da cidade. As localidades e seu entorno estão sofrendo um surto de super valorização, isso faz com que as casas fiquem muito mais caras, e a condições de sobrevivência, fica cada vez mais difícil . Os grandes eventos que estão a caminho (Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo 2014, Olimpíadas 2016), têm que ter uma proteção, bem significativa para alocação dos turistas e esportistas do mundo inteiro. As favelas que estão sendo ocupadas, atendem todos os requisitos, a maioria encontra-se na Zona Sul da cidade e quando não nessa área, terá grande importância para os jogos, é o caso de algumas localidades na Zona Norte, e Zona Oeste.

As mudanças que vem sendo feitas na cidade, estão prezas numa lógica de criminalização da pobreza. Para que os grandes projetos sejam bem executados, é necessário que os pobres estejam num lugar estratégico na cidade, a mesma não é para todos num olhar único, seus espaços tem ocupações diferenciados. A percepção dos pobres que seu lugar, é em torno de sua favela, ou área periférica, tem que ser a todo o momento alertado pelos meios de comunicação. Uma fez sendo desrespeitada essa lógica, o indivíduo será severamente punido. Assim os moradores convivem num julgamento antes mesmo de cometerem, ou não qualquer ação que é considerada crime. O criminoso na Cidade do Rio, tem cara, cor e localidade. Os moradores dessas áreas atendem todos esses requisitos. As autoridades tem que reprimi-los e tornar a cidade mais segura. Criminalizá-los, é atender uma lógica que vai muito além de um jogo político regional, abarca um projeto que tem suas raízes para além do país.

Todo esse jogo de criminalização dos pobres, é camuflado pelo enfrentamento do tráfico. Este último, a pesar de ser a ponta de uma contradição bem mais profunda das complexas relações da violência urbana. Afastar o tráfico das regiões mais privilegiadas da cidade, é dizer que está afastando um mal, que assola as favelas e áreas dos grandes eventos. Os outros problemas como educação, saúde, saneamento básico etc, fica para próxima ocupação, que sabe lá quando chega, pois o melhor os governantes estão conseguindo, uma aprovação para criminalização dos pobres e da pobreza.

Uma Cidade das Oportunidades.

Minha cidade perfeita, é repleta de oportunidades de empregos, pontos culturais, lazer entre outros serviços que deixa a população navegar na mais perfeita das nuvens floridas.
Ao sair de casa, encontro vários postos de trabalhos, nessa cidade as pessoas são servidas em casa com propostas irrecusáveis, pois, nesses trabalhos, o trabalhador não é escravizado, sua palavra tem tanto valor quanto a do patrão.

Os salários, não são exorbitantes no que se imagina em níveis de diferenças. Os patrões sentam com seus empregados que mencionam como acham que deveria ser o dia-dia do trabalhador.
Os pontos de lazer não têm uma estreita separação entre classes. As praças são para todos. Os cinemas atendem as populações mais carentes, quando não tem dinheiro entram de graça, quando tem , dá um valor simbólico.

Os pontos culturais se perdem em abundância. Os atores representam um olhar que afloras as imaginações da população.

As grandes tragédias são interpretadas como grandes feitos que não marcam, mas sim devem ser superadas. Os filmes já não mostram suas ideologias perversas.
Os ventos fortes batem na minha humilde janela de madeira, que num passar de olhos acordo no meu mundo de ilusão.

Um mês sem empregos sigo minha caminhada a fim de encontrar esse bem, que tanto me faz chorar. Já na minha vigésima procura, não tenho mais expectativa de encontra-lo.

Ao sair de casa antes do nascer do sol, mal vejo meus sete filhos, que choram clamando por comida, se desesperam a fim de chegarem na escola para comer a única e humilde refeição do dia.
De posto em posto minha cor parece ser um fator de repleto julgamento de minha possível deficiência, minha região de moradia me tira qualquer possibilidade de ser aceito.
A pós um dia de procura, tento levar meus filhos para brincar nas praças para esquecerem do mundo de tristezas que são obrigados a estarem.

Nas praças, as crianças são divididas por cor, os brinquedos como se fossem desinfetados não são para todos. As mais humildes e que a melanina chegou em abundância são julgados como impuros.
Choro pois meus filhos se enquadram nesse jogo. Meu desespero me dar força para superar essa realidade. Mal espero que chegue a noite, assim eu volto a dormir e sonhar com minha cidade perfeita.