Tifli Camarada Camarão

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um dia qualquer: Racismos cruzados.




POR: WAGNER MAIA e TATIANA GOMES DA COSTA.
 
Acordei com o corpo pesado, devagar, quase um salto da cama e fui em
direção ao banheiro lavar o rosto.  Nem troquei o pijama e caminhei até a
cozinha, já que tinha uma pia cheia de louça a minha espera e tu chegarias, mais tarde e sua surpresa estava sendo arquitetada. Enquanto criava coragem, para por as mãos na água fria e dar um fim temporário, a pilha de pratos de outros apetrechos. Como em um lampejo, me veio a imagem quando pequena, uma cena que deixou marcas profundas.

Foi o seguinte, por volta de 1989, estudava em uma escola pública nos
confins de Jacarepaguá e estávamos nos períodos entre Julho e Agosto; lembro bem disso, por que estava tendo ensaios para festas juninas e aí
veio essa sensação de inadequação, que carrego ainda hoje. Todas às
crianças animadas e a procura de pares, para poder ensaiar, também fiquei
serelepe, já que era animador lembrar que poderia dançar com roupas
coloridas e ter fotos e histórias, para quiçá contar para mãe e pai e
talvez netos (as). Só que não, ninguém quis dançar comigo, lembro-me que todas as meninas brancas tinham cabelos compridos e fora às negras que alisavam os cabelos e eu lá a única de corte Black (como chamavam na época,) e usava Kichut (um tênis que seu formato parecia uma lancha e tinha grandes cadarços) e fui sendo deixada de lado, a ponta de sentar em um canto e chorar de raiva pelo desprezo. A situação foi tão séria, que meu par foi a professora. Isso soou como prêmio de consolação e às marcas persistem.

De volta à louça e ao dia de hoje, diante dessa lembrança, fico eu cá a
pensar, quantas vezes fui invisibilizada e desprezada por ser NEGRA, NEGRA e sempre ter que fazer mais e saber mais e assim como outras mulheres de minha cor, têm que se desdobrar para lidar com situações e questões, que muitas vezes nos derruba e nos deixa no limiar entre a desistência ou reação diária contra todas às provocações.

E ao mesmo o tempo tendo passado e já na casa dos trinta, se avolumam
histórias semelhantes às de cima, só que por alguns momentos, não há
teoria que de conta, da avalanche diante de tantas falas, olhares tortos
e para isso, foi alguns anos de análise, muito empenho em leitura, para
mostrar que também sou um ser humano e sou capaz. Mais o que dói e a solidão, essa aí que fica a espreita, que tantas vezes tive que me refazer, para não desmoronar e não deixar o amor – próprio escoar pelo ralo.

Quantas escolhas amorosas pude realmente fazer, diante do enquadramento estético, ao qual todos (as) somos submetidos (as) desde pequeninos (as) e bombardeados por propagandas e fora o sistema educacional e os tais conjuntos de valores?

Fora os poucos, que não tiveram vergonha de circular comigo a luz do dia, sem artifícios ou mesmo com falas de que eu era uma amiga, ah, parece
reclamação à toa, mais a ferida ainda lateja e está aberta. Quantas vezes, pude mesmo não ter que duelar com minha autoestima, para poder sair sem me sentir afogada (o), pela imposição de me enquadrar no padrão (moça) alma-bem comportada? E quais não foram às vezes, que me submeti a sofríveis tratamentos estéticos, para poder me sentir amada? Ou mesmo ter a chance de ser olhada e não ficar no limbo dos que carregam chagas deixadas pelo R-A-C-I-S-M-O.

Enquanto isso, por conta de um canto de passarinho, que posou no quintal, volto para o que fazia na cozinha e com lágrimas nos olhos e um aperto no
coração; parei o que fazia e liguei o som, coloquei Negro Drama dos
Racionais Mc’s para rolar e cantar, para desabafar diante de tantos
absurdos vividos e calados.

Negro drama no rádio tocou inúmeras vezes e intercalava com o a música
mulheres negras composta pelo Eduardo do Facção Central e cantada por
Yzalú. O que passava pela cabeça, era bem simples te fazer uma surpresa, que marcaria sua vida por muitos anos, já que não estaria mais viva, a culpa ia te corroer. Mesmo tu sendo um homem negro, participante de movimentos e também um cara bem mente aberta; de uns anos para cá passou me maltratar e a querer me forçar a me prender a estereótipos do que é ser negra e também mulher. Todos os dias é um festival de insultos, de abandonos, para resumir a ópera: estou no limiar de minhas forças e bora lá, e com que essas duas músicas a rolar, pensei em me cortar com gilete e ficar na cama esvaída em sangue. 

Mas não, mesmo com vontade imensa de morrer, rezei, gritei, aumentei volume do som e assim, quando último talher foi lavado decidi tomar um banho bem quente e demorado e depois de terminado, ainda molhada e enrolada na tolha, juntei às roupas, alguns papéis e mesmo com os nervos à flor da pele, resolvi dar um basta nesse conjunto de monstruosidades... e juntei coisas e dores, pus uma roupa simples e tênis, catei às chaves e dei uma última olhada na casa, que chamávamos de ninho...É fui embora, com um fone nos ouvidos e mesmo indo embora vá por caminhos desconhecidos, o que viria a seguir chama-se liberdade e mesmo com perrengues, estou disposta a me refazer, e viver, errar e amar, sem (talvez) ficar refém do medo, de não amar mais ninguém...

Parado sentado à frente de uma máquina potente que pode me levar a outro planeta sem sair do lugar, lendo um meio conto, meio poesia de uma eterna e grande amiga sobre suas histórias passadas de tristezas e preconceitos. A lágrima rola sobre minha face, vem-me lembrança passada e não tão diferente das contadas por essa grande amiga.
Fevereiro de 2006, show dos Rolling Stones na cidade maravilhosa de até então distante para alguns interioranos da cidade de Saquarema. Pois bem, a convite de uma quase mãe para todos nós, éramos exatos quatros rapazes dois menores dois maiores, com ar de infantilidades, driblando mães e pais, conseguimos chegar a tão sonhada cidade maravilhosa.

Logo fomos conhecer o que tinha de bom e como tínhamos pouco dinheiro fomos para os lugares onde gastavam-se pouco que já não é mais tão pouco, (praia, lojas de roupas e shopping center). E logo nos apaixonamos pela cidade. Viera o show, como foi gostoso ver os cantores desfilando com seus ares juvenis e já nas casas dos 70. Tudo soava como se estivéssemos no paraíso.

Para completar nossa felicidade fomos visitar uma das favelas mais charmosa do rio, a da Rocinha com seu ar de beleza e abarrotada de pessoas descendo e subindo 24 horas por dia, isso porque o dia só tem essa contabilidade de horas. Tudo soava como maravilhoso. Mas deu a hora de voltarmos para nossa cidade amada e começar nosso tormento.

Pegamos o ônibus em direção a rodoviária (Novo Rio), uma das maiores do Estado do Rio de Janeiro que absorve uma população gigantesca de todas as partes do mundo. Ao chegar nessa mesma tudo corria bem, fizemos todos os procedimentos cabíveis para podermos viajar tranquilamente de volta a Saquarema. Lembro-me como se fosse hoje, todos ao nosso redor já nos olhavam com um ar diferente, quatro pessoas sendo três negros e um branco com ar maltrapilhado.

Num instante aparece em nossa frente dois policiais militares e com ar de não satisfeitos com todos nós resolvem nos abordar com ar de truculência. (Vieram de onde?) fala do primeiro policial, (o que tem dentro da bolsa?) complementou o seu parceiro. Sem saber o que dizer fomos tentando explicar que estávamos no rio para o show ocorrido no último fim de semana e que éramos de Saquarema.  Mas aquilo não soou com ar de parcialidade e um dos policiais nos ordenou que tirássemos todas as nossas roupas da bolsa, para que eles pudessem revistar.

Tudo remexido e sujo de um fim de semana longe de casa, com ar de revolta um de nós resmungou que éramos trabalhadores e que eles estavam nos maltratando inclusive nos humilhando, pois a rodoviária parou para ver aquele filme repetitivo de inúmeros negros sendo revistados diante de inúmeras pessoas. Sem forças resmungamos e abrimos nossas bolsas e revelamos um amontoado de roupas sujas. Os policiais seguiram seus ritmos de vida a procura de novos suspeitos, nós envergonhados sentamos numa pilastra de cimento e esperamos nosso ônibus chegar para que voltássemos para casa seguros.

Hoje retorno a ler a história dessa brava amiga e sei que não são contos separados, mas histórias cruzadas de preconceitos distribuídos no meandro da sociedade. A vida segue seu ritmo malvado e dilacerador, cortando vidas NEGRAS e periféricas, as jogando para um canto dos submundos dos não aceitáveis. As lágrimas que senti escorrer sobre meu rosto ao ler essa história, são resquícios da percepção das pontas cortantes que ultrapassam a carne negra sofrida dentro do casulo chamado sociedade.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Num dia Expressivo sendo Tratadas como Personificação de um Objeto de Desejo.


No dia internacional da mulher que deve realçar as lutas que vão desde Rosa luxemburgo, até Dona Maria que viu sua casa sendo destroçada por uma avalanche no Morro do bumba, assim como tantas outras mulheres que sofrem no dia dia e mesmo assim, vivem lutando para um mundo menos escroto, é o tempo todo caricaturado.

A televisão insiste em mostrar uma mulher de biquine, e com ares carnavalescos como representação. Deixa-se bem claro que sou um amante do carnaval, o que se deve ater é numa leitura crítica da personificação imagética do carnaval como representação da pátria e sendo assim das mulheres brasileiras como sendo o carnaval em pessoa.

As vicissitudes de uma garra que ultrapassa nossos nove meses no máximo até o nascimento do prodígio filho que a mesma o tratará como jóia rara, independente do que esse último faça, não é reconhecida por uma sociedade que cai num esquecimento imagético do momento.

Os atropelos que vão desde uma agressão do seu conjugue até um ensinamento ortodoxo que as enquadram como sendo "boas moças" e para as que ultrapassam essas barreiras são chamadas de possível "safadas", "fácil", entre outros apelidos que se entenderia por uma sociedade extremamente machista e preconceituosa. A mulher e principalmente a brasileira em "pesquisa recente, é a mais otimista do mundo", isso deve ser encarado com bastante brilho, se não esquecermos dos excessos de transtornos que as mesmas vem passando ao longo de um histórico percurso que ultrapassa séculos.


A imagem da mulher não deve estar enquadrada num só ar de luta, agressividade com as durezas da vida, muito pelo contrário deve-se realçar também outra lado de tantas que com sua delicadeza, sem deixar de serem bravas, permanecem encantadoras, onde num simples passar de batom se transformam numa musa expressiva, isso no nosso imaginário, pois as que não passam os famosos produtos estéticos conseguem reter o mesmo brilho. Seu não esquecimento quanto guerreira e formosura talvez seja nossa principal assimilação quando tentamos lembrar de um rosto feminino e querido por todos nós.
Portanto, as datas podem ser um mero clique de um dia como outro, mas também podem expressar o que temos de mais valioso e nem por isso, os tratamos como devem. as mensagens ultrapassam barreiras, que vão desde um ser vaidoso até o mais simples do interiorano. As formas de homenagea-las podem ser diferenciadas, mas a clareza de que precisamos olha-las como admiradores e companheiros em prol de uma luta que talvez seja pedagógica, mas sem deixar de ser prazerosa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Cidade das Remoções

Por Wagner Maia.

Deixastes os meninos dormirem, cumpro mais um dia de batalha... Em poucos minutos o corpo entra em transe, o físico não aguenta mais, precisa de descanso.

Na batalha do sono, vem o encanto do sonho. Já em estado de êxtase, volto a pensar na cidade perfeita.

Nesta os indivíduos possuem minimamente suas casas... Não se trata das grandes caixas quadradas e suas friezas de porta em porta...

Os moradores convivem na mais perfeita sincronia, a humildade parece ser o ponto forte dessa cidade.

Uma cidade, que os mais humildes mesmo que suas oportunidades estejam distantes, surge acolhimento.

A cidade não possui suas áreas privilegiadas com seus metros quadrados e seus preços surreais.. Qualquer indivíduo pode comprar sua casa, pois o preço é simbólico, e não há mais valia.

Essa cidade não é para poucos e sim para todos, o lugar não é um lugar privilegiado com seus feudos privilegiados... É um espaço de todos que se resume em muitos...

Que pena, já são quatro horas da manhã, hora de ir trabalhar, o relógio é mais teimoso que meu sono, apita descontroladamente... A promessa é de uma oportunidade de emprego.

Antes do raiar sol, sigo rumo a felicidade ilusória... Hoje minha prefeitura está fazendo caridade e colocando alguns pobres coitados a removerem outros pobres coitados

Não posso desistir, meus filhos precisam dessa migalha de pão... Na primeira remoção, vejo que mundo vivo, uma irmã de cor, que contabiliza seu oitavo filho no colo..

Com o despejo, serão mais nove cadáveres rondando pela cidade. Esta baronesa da pobreza é quem cuida da casa... Seu parceiro cortara laços toda vez que a mesma ganha filho.

Acostumada com despejo, a penas lamenta por mais uma perda... Meus olhos por mais que tentam disfarçar, não sustentam as lágrimas guardadas por muito tempo...

Os homens dos canudos, despejam sem pudor, apenas dar a cartada final...

Na sua humilde fala, que na concordância verbal já não significara muito naquele momento, exclama em minha direção... “Porque choras, a penas faça seu dever.”

Meu dever é fazer minha cor sofrer. Sofre porque tenhas minha cor.. Sofre porque não existe casa para minha cor. Sofrer porque nem todos merecem viver... Sofre porque minha cor quer viver.

No fim do dia, contabilizo a vigésima remoção, dezenove é da minha cor, uma é da cor dos primeiros habitantes dessa terra...

Como chego em casa e olho para meus filhos? Pois, estes podem ser os próximos...

Sinto-me envergonhado do papel que fizestes hoje. Mal janto e vou dormir cedo, quero voltar a sonhar, pois minha realidade é um pesadelo...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Uma Cidade das Oportunidades.

Minha cidade perfeita, é repleta de oportunidades de empregos, pontos culturais, lazer entre outros serviços que deixa a população navegar na mais perfeita das nuvens floridas.
Ao sair de casa, encontro vários postos de trabalhos, nessa cidade as pessoas são servidas em casa com propostas irrecusáveis, pois, nesses trabalhos, o trabalhador não é escravizado, sua palavra tem tanto valor quanto a do patrão.

Os salários, não são exorbitantes no que se imagina em níveis de diferenças. Os patrões sentam com seus empregados que mencionam como acham que deveria ser o dia-dia do trabalhador.
Os pontos de lazer não têm uma estreita separação entre classes. As praças são para todos. Os cinemas atendem as populações mais carentes, quando não tem dinheiro entram de graça, quando tem , dá um valor simbólico.

Os pontos culturais se perdem em abundância. Os atores representam um olhar que afloras as imaginações da população.

As grandes tragédias são interpretadas como grandes feitos que não marcam, mas sim devem ser superadas. Os filmes já não mostram suas ideologias perversas.
Os ventos fortes batem na minha humilde janela de madeira, que num passar de olhos acordo no meu mundo de ilusão.

Um mês sem empregos sigo minha caminhada a fim de encontrar esse bem, que tanto me faz chorar. Já na minha vigésima procura, não tenho mais expectativa de encontra-lo.

Ao sair de casa antes do nascer do sol, mal vejo meus sete filhos, que choram clamando por comida, se desesperam a fim de chegarem na escola para comer a única e humilde refeição do dia.
De posto em posto minha cor parece ser um fator de repleto julgamento de minha possível deficiência, minha região de moradia me tira qualquer possibilidade de ser aceito.
A pós um dia de procura, tento levar meus filhos para brincar nas praças para esquecerem do mundo de tristezas que são obrigados a estarem.

Nas praças, as crianças são divididas por cor, os brinquedos como se fossem desinfetados não são para todos. As mais humildes e que a melanina chegou em abundância são julgados como impuros.
Choro pois meus filhos se enquadram nesse jogo. Meu desespero me dar força para superar essa realidade. Mal espero que chegue a noite, assim eu volto a dormir e sonhar com minha cidade perfeita.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cidade Perfeita

Ao acordar percebeste que estava na cidade perfeita.

Os soldados já não exacerbam com suas forças extremas para lidar com o povo.

Nas veias percebi que o sangue, circulava na mais perfeita sincronia.

O café já feito no bule, as migalhas de pão se transformaram na mais perfeita torrada.

Ao sair de casa o transporte como nunca, andas de vento em popa, os trocadores e motoristas, dialogavam com os passageiros na mais perfeita alegria.

Os jornais já não mostram mais suas ideologias perversas, que manipulam o povo com mais perfeita das ironias.

As televisões por um dia, não mostram cadáveres pelo chão, muito pelo contrário, dá voz aos mais carentes, além de deixar os mesmos darem seus depoimentos.

As almas penadas que inalam seus demônios de cada dia, se libertaram de um mal que provavelmente os dilaceram em dez segundos.

As forças de paz, só por hoje não tomam o poder através das guerras.

Os homens que são responsáveis pela pobreza, hoje lutam contra essa doença que só faz crescer nas margens das grandes cidades.

As crianças depois de um dia perfeito nas escolas, voltam para casa na mais perfeita tranquilidade.

Os maridos esperando suas mulheres voltarem do trabalho, e as mesmas fazendo com que o dia de hoje passe na mais vagarosa tranquilidade.

O mundo caminha na mais perfeita alocação de um por do sol perfeito.

O brilho das águas já não enche mais as casas de humildes moradores, que nas vésperas do verão choram por transformação. Hoje o poder público aparece na mais perfeita harmonia.

Hoje negros/ homossexuais entre outros, já não sofrem mais agressões e nem discriminação.

Essa cidade perfeita, pelo menos existe no subconsciente do mais humilde indivíduo solitário.

Num surto quase que desenfreado, acordo na mais perfeita sincronia, com tiroteios ao redor do meu lar.

Não me dando conta das dimensões que meu subconsciente tinha chegado de uma cidade perfeita, que se desespera na chegada da possibilidade da realidade.

Meu café não tem o açúcar de outrora. O pão já não se encontra na humilde vasilha, os condutores dos ônibus não falam com os passageiros, as crianças não vão para as escolas, e os governantes não chegam para lutarem contra a pobreza.

Aos poucos, percebo que esse mundo de realidade, é bem menos real que meus sonhos de uma cidade perfeita. A perfeição está no meu subconsciente, que a todo o momento quer fazer dos sonhos a realidade.

Minha realidade hoje chora com os cadáveres pelo chão das mais humildes favelas.

Hoje minha cidade chora por não ter saúde, educação, segurança, pontos culturais. Todos choram pelo mal que só faz crescer as revoltas populares.

Mas, tudo é camuflado nas mais perversas das mídias, e seus ancoras que nas bordas de seus lábios expressam seus sorrisos de satisfação pela contenção dos mais humildes dos inocentes.

Assim, a cidade de hoje é perversa, sem graça, genocida e formadora das mais horríveis degradações dos seres humanos. Hoje clamo pela volta dos meus sonhos que pelo menos no meu subconsciente ver um mundo perfeito, uma cidade ideal.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Banalização das Mortes. Rompem Barreias, e Acaba com a Normalidade das mais Calmas das Cidades.

As complexidades parecem romper barreiras e chegar as mais calmas das cidades do interior. Os processos de banalização das mortes estão presentes, quase em todas as cidades brasileiras, e principalmente, nas do Rio de Janeiro. Os altos índices de acidentes de motocicletas, que vem ocorrendo na cidade de Saquarema, vem assustando toda população.
Os motivos para ocorrências dessas mortes são variados, vão desde o descaso público em promover políticas públicas para redução desses índices, até o conformismo da população, em insistir no excesso de velocidade. Morre amigos, conhecidos, não conhecidos, nem tanto amigos. Pessoas que poderiam viver muito mais, do que um simples segundo de alta velocidade que as motos lhes dão de prazer.

As ações para que essas tragédias tenham diminuição e se possível extinção, são variadas, mas parte de um agir comunicativo de governantes e sociedade civil com participação de todas as esferas presentes nessa sociedade.

Mas parece que estas ações em conjunto não estão ocorrendo, e o que funciona é um “jeitinho brasileiro” que rompe barreira do não aceitável, e chega às entranhas de uma sociedade altamente corrupta e, além disso, já absorveram as mortes como sequências da normalidade do dia-dia das cidades do Brasil.

terça-feira, 14 de junho de 2011

As vozes que são caladas na favela!

“A favela não tem voz, ela é atacada de todos os lados, mas não consegue se defender.”
Bezerra da Silva.
Documentário “A Onde a Coruja Dorme”



A favela sempre foi representativa no cenário da estruturação da cidade, apesar de nessa estruturação ficar sempre estigmatizada como a cultura do submundo. Esta sofre há quase um século, ou mais, das iniciativas dos poderes estatais, na tentativa de aniquilá-la, e torná-la cada vez menos significante na lógica da cidade urbanizada.

Bezerra ao mencionar que a favela não tem voz, anuncia que a mesma, a todo o momento, ver suas iniciativas de brigar por melhorias serem aniquiladas de diversas maneiras. Não ter voz, é não ter representação quanto a decidir seu futuro, e não entrar para uma discussão mais ampla na questão da cidade. Complementando Bezerra, a favela não tem voz, porque a mesma é ofuscada por diversos mecanismos, tanto estatal, tanto quanto setores da sociedade que querem ver a favela cada vez mais afastada da cidade, como se ela não fosse uma parte da cidade.

A distinção se dá no campo da urbanização, e é através desse campo que muitas comunidades recentemente deixaram de ser favelas. A tentativa de diminuir o número de favela no Rio, parte do pressuposto de que trocando de nome, possa-se a dar melhores condições de vida aos moradores, além de ser um fator de facilitação de controle daquela região. A lógica de tornar as antigas favelas em Bairros, parte de uma perspectiva de cidade que vai além de um simples trocar de nome. É de uma certa maneira, colocar o poder estatal como transformador de antigos locais ditos “subumanos” em ambientes desenvolvidos, apesar de que na prática pouco se muda, inclusive na truculência das forças do Estado sobre essas comunidades.


Ainda no que bezerra mencionou, “não ter voz”, no caso da favela, faz com que as autoridades governantes tenham uma certa autonomia com estes lugares, e, por assim dizer, como o poder público não está muito preocupado em promover melhorias, mas sim contenção, esta meta parece ser alcançada a cada dia com essas novas iniciativas. Uma lógica de cidade cercada para os grandes eventos, agora como prerrogativa de intervenção social e integração desses lugares.


Não ser mais “favelado”, parece soar como uma satisfação, mas esconde uma perversa e cruel subordinação dos moradores das favelas, na cultura do “cada um no seu lugar”, não ter nome de favela, não significa não ter as condições precárias que algumas comunidades vem sofrendo ao longo de quase um século de existência. Muito pelo contrário isso camufla as iniciativas que o poder estatal deveria ter, para tornar as favelas, mais representativas na arena de discussão. Além de camuflar a obrigação do Estado em promover melhorias de condições de vida para quem está necessitado, principalmente no que se concebe a valor econômico.

A favela sempre foi motivo das iniciativas do Estado, quase como sempre iniciativas de aniquilação. Por conseguinte, as mascaras das iniciativas estatais, se escondem numa lógica de integração da favela aos restantes dos espaços da “cidade partida”. A divisão da cidade se dá no imaginário do convívio e das representações que distinguem esses lugares. Ser diferente não significa ser motivo para a discriminação, mas acaba sendo, e principalmente no Rio de Janeiro cercado por favelas, pelo menos na Capital.

A distinção da favela para as demais partes da cidade se dava principalmente pelo nome, além de outros critérios. Entretanto, num passar de olhos algumas dessas viraram Bairros. A prerrogativa é a de inserção. Ao mencionar esta mudança, o Estado assina a carta de não ter competência para tratar as favelas com dignidade e respeito.

Assume-se assim, uma postura de camuflagem de nome, ou pensando numa lógica mais crítica, este é só um passo para as iniciativas de repressão que estão a caminho ao longo dessa nova década. Duas perguntas soam no ar. Vamos esperar para vê? Ou tomaremos iniciativas contra essas truculências? As respostas, não devem só serem dadas nas palavras, mas também com iniciativas concretas do agir coletivo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Muda os lugares, os atores, mas não mudam as ações!

Acostumado depois de quase quatro anos morando na Cidade do Rio de Janeiro, com a forma que os motoristas de ônibus tratam seus passageiros, fazendo dessas pessoas, indivíduos insignificantes, ações essas que vão desde excesso de velocidade, até a não parada nos pontos de ônibus, uma vez parando, é sempre bem distante do ponto.
Muito bem, mudo de Cidade, e que por sinal não chega nem perto da complexidade do Rio de Janeiro, local esse que têm fama de ser a capital do Surf.

Saquarema, é conhecida pela suas belas paisagens, entretanto, no que se trata em transporte de massa é igual ou pior a Cidade do Rio, os motoristas também são acostumados ou treinados a não respeitar os seus passageiros, parando quase 200 metros de diferença dos seus passageiros, estes por sua vez tendo que caminhar bem de pressa ou até chegar a correr para não perderem a condução, isso depois de um dia longo de trabalho.

Essa maneira de tratamento parece romper barreiras e chegar às mais calmas das cidades e atormentar seus habitantes. E esses motoristas que muito desses também vivem em repleto estresse tendo que servir de motorista e trocador, ver a única saída ou a mais conveniente descarregar sua fúria nos seus passageiros. Estes últimos recebem uma dupla carga negativa, o cansaço e a truculência dos motoristas.

A solução parece não fazer parte da nossa sociedade, vigorando a lei do mais forte ou do detentor do poder, aos mais fracos restam às subordinações e a longa caminhada até chegarem aos seus lares e descansar, para que no dia seguinte começar sua batalha rotineira de trabalho e aceitação das truculências dos motoristas. Dois dias em Saquarema parece que estou na Cidade do Rio de Janeiro e sua imensa complexidade. De Fato parece mudar os atores, as Cidades, mas não mudam as ações.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Fim de semana na Favela a Favela!!!

Estávamos na favela da Rocinha,
esperando dar a hora de sairmos para nos divertir,
isto por sinal é um grão de areia numa favela que
parece está acordada 24 horas por dia.
É que os emaranhados de relações sociais,
se dão numa intensidade tão forte,
que essa favela parece não descansar, e seus habitantes,
apesar de sofrerem com os estigmas causados pelas demais parte da sociedade,
tira esses estigmas de letra através de muito suor e sorriso no rosto.

Mas não foi isso que intrigou a mim, e meu irmão,
muito pelo contrario, só confirmou o que pensávamos sobre a favela,
local fantástico de se viver,
mas sim o sentido de estarmos em um lugar,
e quando uma vez indo a outro lugar parece que o primeiro

não está mais aonde imaginávamos que estivesse.

Pois bem, estamos indo, para a procissão
da Semana Santa na estrada da Gávea,
esta por sua vez, estava na nossa frente,
entretanto uma vez chegando na tão falada estrada da Gávea
a nossa casa parecia está do nosso lado e
não atrás da gente como imaginamos no começo.
Começamos traçar sentidos: como de fazer curva,
ou pela nossa caminhada, ou até mesmo pela Rocinha
parece ser uma circunferência, mas nada disso adiantou
não chegamos a uma explicação decente. Mas isso,
não atrapalhou nosso fim de semana,
muito pelo contrário nos ajudou a
entender que as favelas não são iguais,
e que cada uma dessas tem suas especificidades,
entretanto, todas merecem respeito,
e devem ser olhadas de uma forma respeitosa.

O sentido da Rocinha, é de um lugar onde quando chegamos,
não queremos mais sair de lá, pelo convívio,
amizade e a facilidade que seus moradores tem de nos acolher muito bem.
Mas, fica minha indagação de tentar entender
a geografia da favela da Rocinha e suas
especificidades que a faz ser uma das favelas mais visitadas do Rio,
com belezas naturais e humanas sem tamanho.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Viva o País da “democracia”?

Viva o País da “democracia”?

Muito tem se falado no que tange a democracia, que vivemos num país livre, e que por conta do advento da era pós-ditadura há uma intensa compreensão com os movimentos sociais e suas legítimas manifestações contra governos autoritários, e anti-democráticos.
Por conseguinte, é de-se esperar que num universo de liberdade de opinião, os atores que desejam manifestar as suas opiniões publicamente tenham toda a liberdade de executá-las. Pois bem, na última sexta-feira manifestantes contra a vinda do excelentíssimo presidente do Brasil e do Mundo “Obama”, atingiu o protocolo da boa convivência pacífica e da liberdade de expressão. (Não façam protestos contra o governo e seus aliados).
Aproximadamente 20 manifestantes foram presos por estarem fazendo protestos, e para além disso, contra um homem de caráter exemplar feito Presidente dos Estados Unidos, que por assim dizer é um País que nada faz de ruim contra seres humanos, vides a prisão de Guantánamo. Um lugar digno de se viver?
Assim caminhamos num país que prega o Direito a liberdade, não só a de opinião, mas a de livre expressão e para além disso, ratifica a atuação dos Direitos Humanos. Mas na prática, esses fatores são irrelevantes, uma vez sendo feitos contra o governo e seu aliados.
Fica a dúvida, que livre expressão é postulada no Brasil, a que está prevista na constituição? ou a expressada pelos nossos queridos jornalistas que pregam que os manifestantes devem ser presos por vandalismo? Não se surpreenda, se a segunda prevalecer no nosso país , é que vivemos e principalmente no Rio de Janeiro numa pseudo-liberdade de expressão e que esta é exaltada pelos meios de comunicação, que escondem da população a verdadeira realidade que vivemos.

Wagner Maia da Costa.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vitória dos lúcidos ?


As cinco questões.


Os nossos jornalistas um pouco magoados com as notícias de última hora, souberam que o discurso do então já mencionado presidente do Brasil “Obama”, não ocorrerá na cinelândia. Motivos segundo minhas informações, não estão bem esclarecidos, no próximo parágrafo ditarei alguns que segundo meu olhar um pouco irônico, não coincidem com alguns olhares da Mídia e fontes afins.

1- O carnaval do Rio e principalmente o de rua, apesar das nossas autoridades tentarem estragar, este foi muito divertido e contou com um número elevado de pessoas chegando a ter em alguns blocos mais de 1 milhão de pessoas. Já o discurso do então nosso presidente Obama seria de 30 mil pessoas, fora os que seriam obrigados a comparecerem a esse ato de fé cristã.

2- O Rio de Janeiro apesar das UPPs estarem prestando um grande favor ao governo em expulsar os pobres das áreas mais privilegiadas do Rio. Esta ainda não se deu de forma definitiva, por isso o nosso Estado não pode ter um discurso a céu aberto.

3- As caravanas pedida pelo Cabral para encorpar a platéia não vão chegar a tempo. Além do que, o nosso excelentíssimo prefeito “Paz” ao saber que não terá o discurso caiu para trás.

4- A nossa excelentíssima presidenta Dilma proibiu seus partidários de fazerem manifestações que segundo fantes não tão seguras, haveria gente aliada a presidente manifestando contra o nosso presidente “Obama”.

5- O resumo desse acontecimento será breve, em suma não temos fontes seguras para saber o porque Obama não irá discursá, na praça tão famosa e palco de grandes acontecimentos no nosso País. Mas, posso adiantar que o Marketing dos nossos governantes de trazerem um homem tão famoso, implica nas seguintes possibilidades “ Um tratado que seria um reavivamento da ALCA, colocar o Brasil no cenário das grandes visitas dos presidentes Americanos. Além do tão sonhado Biocombustível brasileiro”.

Wagner Maia, Marcio Moises.